domingo, 30 de dezembro de 2012

"Come forth into the light of things, let nature be your teacher"

William Wordsworth

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ao rosto vulgar dos dias
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.


Alexandre O´Neill 

Auto-retrato (1861)- Fantin-Latour

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


"Por mais distância que corras, por mais dias que passem, do teu coração não conseguirás escapar."

Tabu - Miguel Gomes

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pastelaria     http://vimeo.com/11525434



Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra



domingo, 9 de dezembro de 2012



"Whenever the cat of the house is black, the lasses of lovers will have no lack”        Folk Saying



Sheep in Fog

The hills step off into whiteness.
People or stars
Regard me sadly, I disappoint them.

The train leaves a line of breath.
O slow
Horse the color of rust,

Hooves, dolorous bells -
All morning the
Morning has been blackening,

A flower left out.
My bones hold a stillness, the far
Fields melt my heart.

They threaten
To let me through to a heaven
Starless and fatherless, a dark water.

Sylvia Plath

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

The process of creating a new women by it’s dress it’s delightfully witching

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

















 
Honorável projecto, “Correio Poético” pela Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

                        Egualdade - Publicação 1886, Portugal

terça-feira, 13 de novembro de 2012


Para uma mulher cortar o cabelo é preciso um desejo de mudança.
O cabelo para a mulher é um ser, um fragmento vivo, como uma aura palpável, um espírito de encanto, interdependente do corpo humano. Alimenta-se das histórias de amor, dos sentimentos de paixão, da comoção que advém da contemplação. E nunca para de receber, sem filtro nem freio até experimentar a amargura de um descontentamento, de ansiedades, de invejas e ódios. Absorve tudo, intoxica-se, corrói-se, fragiliza-se e despega-se da cabeça, cai morto. O comprimento dos fios contam anos de história, anos que entre o bem e o mal elevaram o rosto da mulher a determinadas posições cénicas até estagnar sem mais nada para dizer, passivo; a partir da linha do peito o comprimento do cabelo já não altera a figura dela, já não contribui para o encantamento do rosto. Muitas vezes, a necessidade de cortar o cabelo está relacionada com um desejo de renascimento, com uma quebra de cena. Para a mulher, a violência da passagem dói, o apego à materialização das suas histórias reverbera no som de cada lance de tesoura.
Mais curto e ultrapassada a dor, ela passa para um registo mais masculino, pontiagudo e destemido e até um pouco vingativo. Vai contra tudo e todos inflamada e irascível como um centauro. Incendeia, vira tudo ao contrário até chegar ao estado caótico. E é então que pára e fica só, cansada. Tudo em cinzas, silencioso... Aí volta o amor incondicional, a ternura majestosa e o equilíbrio tão efémero e arrebatador do cabelo pelos ombros.

Agnes

          Nau Catrineta
Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar."

Passava mais de ano e dia,
que iam na volta do mar.
Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.

Já mataram o seu galo,
que tinham para cantar.
Já mataram o seu cão,
que tinham para ladrar."

"Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.
Deitaram sola de molho,
para o outro dia jantar.
Mas a sola era tão rija,
que a não puderam tragar."

"Deitaram sortes ao fundo,
qual se havia de matar.
Logo a sorte foi cair
no capitão general"

- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."

- "Não vejo terras de Espanha,
nem praias de Portugal.
Vejo sete espadas nuas,
que estão para te matar."

- "Acima, acima, gajeiro,
acima ao tope real!
Olha se vês minhas terras,
ou reinos de Portugal."

- "Alvíssaras, senhor alvissaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal.
Se não nos faltar o vento,
a terra iremos jantar.

Lá vejo muitas ribeiras,
lavadeiras a lavar;
vejo muito forno aceso,
padeiras a padejar,
e vejo muitos açougues,
carniceiros a matar.

Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

- "Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar"

- "A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.
Que eu tenho mulher em França,
filhinhos de sustentar.
Quero a Nau Catrineta,
para nela navegar."

- "A Nau Catrineta, amigo,
eu não te posso dar;
assim que chegar a terra,
logo ela vai a queimar.
- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."

- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."
- "Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar"

- "Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.
Quero a Nau Catrineta,
para nela navegar.
Que assim como escapou desta,
doutra ainda há-de escapar"

Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar.

sábado, 10 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Not always a beautiful face translates charm into the world.
There's a thousand sources of clear water full of sludge on the bottom.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012




Hal Hartley's "Trust"

Maria: Can you stop watching TV for a minute? 
Matthew: No. 
Maria: Why? 
Matthew: Because. I had a bad day at work. I had to subvert my principles and know-how to an idiot. Television makes these daily sacrifices possible. Deadens the inner core of my being. 
 Maria Coughlin: Let's move away then.
Matthew Slaughter: They have television everywhere, there's no escape. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012


       
Witch Hill/The Salem Martyr,  Thomas Slatterwhite Noble (1869)


The Trials

Imagem: Bright Star

"John Brooke: Over the mysteries of female life there is drawn a veil best left undisturbed", Little Women

sábado, 20 de outubro de 2012

The Virgin Suicides

"We knew the girls were really women in disguise, that they understood love, and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them."

quarta-feira, 10 de outubro de 2012




"...certamente, meu príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. Na Cidade perdeu ele a força e a beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trémulos como arames, como cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda."


As Cidades e as Serras, Eça de Queirós

Wanderer Above the Sea of Fog (1818) - Caspar David Friedrich
Ás vezes sinto que posso ir contra tudo

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012